LI-RADS — Liver Imaging Reporting and Data System
TC e RM multifásica (fígado) · American College of Radiology (ACR) — versão 2018
LI-RADS estratifica risco de CHC em pacientes cirróticos — LR-5 equivale a diagnóstico sem biópsia em imagem de qualidade.
O que é LI-RADS
LI-RADS (Liver Imaging Reporting and Data System) é o sistema do American College of Radiology (ACR) para padronizar laudos de TC e RM multifásica do fígado em pacientes com risco elevado de carcinoma hepatocelular (CHC) — principalmente cirrose de qualquer etiologia e hepatite B crônica em contextos específicos.
O sistema combina critérios maiores de imagem — realce arterial não periférico (APHE), washout não periférico, cápsula realçante e crescimento limiar (≥50% em ≤6 meses) — com o tamanho da lesão para calcular a probabilidade de CHC e atribuir uma categoria LR.
LR-5 equivale a diagnóstico de CHC sem necessidade de biópsia em pacientes de risco com imagem de técnica adequada, o que é reconhecido pelas principais diretrizes oncológicas internacionais (BCLC, AASLD, EASL).
Quando se aplica
- Pacientes com cirrose hepática de qualquer etiologia.
- Hepatite B crônica em contextos clínicos específicos (conforme diretriz ACR LI-RADS).
- Alguns cenários pós-transplante hepático.
- Não se aplica a: fígado não cirrótico sem fatores de risco, colangiocarcinoma conhecido, tumores pediátricos.
Como funciona
- A categorização combina a presença de critérios maiores (APHE não periférico, washout não periférico, cápsula realçante, crescimento limiar) com o tamanho da lesão (<20mm vs. ≥20mm) em uma tabela algoritmica.
- Critérios ancilares (sinal de gordura, pseudocápsula, sinal de hepatócito em sequências hepatobiliares) podem elevar ou rebaixar a categoria em um nível.
- LR-M é atribuída quando as características sugerem malignidade não específica para CHC (ex.: padrão infiltrativo, realce periférico). LR-TIV indica trombo tumoral venoso.
Categorias do LI-RADS
LR-1
Definitivamente benigno
Malignidade: ~0%
Conduta: Seguimento rotineiro por protocolo de vigilância
LR-2
Provavelmente benigno
Malignidade: Muito baixa
Conduta: Seguimento rotineiro por protocolo de vigilância
LR-3
Probabilidade intermediária de CHC
Malignidade: Intermediária
Conduta: Seguimento em 3–6 meses ou avaliação adicional
LR-4
Provavelmente CHC
Malignidade: Alta
Conduta: Discussão multidisciplinar; considerar tratamento ou biópsia
LR-5
Definitivamente CHC
Malignidade: ≥95%
Conduta: Diagnóstico de CHC sem biópsia; tratamento oncológico
LR-M
Malignidade não específica para CHC
Malignidade: Alta (não CHC)
Conduta: Discussão multidisciplinar; biópsia pode ser necessária
LR-TIV
Trombo tumoral em veia
Malignidade: Alta
Conduta: Correlação com achados hepáticos; manejo oncológico
Critérios maiores do LI-RADS
Quatro critérios maiores definem a categorização: a presença ou ausência de cada um, combinada com o tamanho da lesão, determina a categoria LR.
APHE não periférico
Realce arterial não periférico — hipervascularização na fase arterial em relação ao parênquima hepático adjacente.
Washout não periférico
Hipointensidade relativa da lesão na fase portal ou tardia, com aparência de 'lavagem' do contraste.
Cápsula realçante
Realce periférico liso e bem definido na fase portal ou tardia, sugestivo de pseudocápsula fibrosa.
Crescimento limiar
Aumento ≥50% do diâmetro em ≤6 meses em comparação com exame prévio.
Erros comuns na aplicação do LI-RADS
Aplicar LI-RADS a fígado não cirrótico, confundir realce de hemangioma com APHE típico, ignorar crescimento limiar como critério maior e não documentar a adequação técnica do exame são os erros mais frequentes.
Como o Laudos.AI usa
Contexto assistivo: o recurso GUIDE sugere a categoria — o médico revisa, edita e assina. A IA acelera a estrutura do laudo, não toma a decisão clínica (Resolução CFM 2.454/2026; LGPD/ANPD).
- GUIDE assistivo: após o radiologista descrever os achados da lesão hepática (tamanho, APHE, washout, cápsula, crescimento), o GUIDE sugere a categoria LI-RADS compatível.
- Verificação de população: o sistema lembra ao usuário de confirmar se o paciente possui o perfil de risco exigido pelo LI-RADS.
- Revisão médica obrigatória: a sugestão de categoria é sempre apresentada para revisão antes de ser incluída no laudo final.
Perguntas frequentes
LR-5 elimina a necessidade de biópsia?
Em pacientes de risco com técnica de imagem adequada, LR-5 equivale a diagnóstico de CHC sem biópsia, conforme reconhecido pelas diretrizes BCLC, AASLD e EASL. A decisão final é do médico assistente.
Qual a diferença entre LR-M e LR-5?
LR-5 indica CHC com alta probabilidade. LR-M indica malignidade com características atípicas para CHC (ex.: padrão infiltrativo, realce em anel), sugerindo outra histologia — biópsia geralmente é necessária.
Posso aplicar LI-RADS em paciente sem cirrose?
Não. O LI-RADS foi validado para populações com risco elevado de CHC. Aplicá-lo a fígado não cirrótico sem fatores de risco gera categorização inválida.
A Laudos.AI substitui o radiologista na atribuição da categoria?
Não. O recurso GUIDE apenas sugere a categoria com base nos achados descritos — o médico revisa, edita e assina. A responsabilidade clínica é sempre do radiologista (Resolução CFM 2.454/2026).
Como o Laudos.AI usa classificações padronizadas?
O recurso GUIDE sugere a categoria correspondente conforme os achados registrados no laudo. O radiologista vê a sugestão, confirma ou corrige, e assina. Uso estritamente assistivo.
Referências
- Chernyak V et al. LI-RADS version 2018: Imaging of hepatocellular carcinoma in at-risk patients
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Ditado em português com terminologia radiológica, sugestão automática de classificações (LI-RADS e outras), sinalização de achados críticos (CRIT) e integração com seu PACS/RIS atual — com o radiologista sempre no controle.