RADIOLOGIA · SEGURANÇA DO PACIENTE

Protocolo de comunicação de achado crítico em radiologia

O protocolo mínimo precisa fechar o loop: identificar a criticidade, avisar a pessoa certa dentro do prazo, registrar tentativas, confirmar o recebimento, escalar quando necessário e deixar uma trilha auditável.

Revisado porDr. Natan Paraíso Ribeiro· CRM-SP 192770· atualizado em
PRAZO CLÍNICO

Dois níveis no Parecer CFM nº 20/2019

Nível I
≤ 1 h

Crítico ou emergencial

Comunicação em até uma hora após a elaboração do laudo. O contato deve ser feito de forma direta com o médico assistente ou membro da equipe e documentado com data, hora e receptor. Se não houver contato, o parecer prevê contingência para orientar ou encaminhar o paciente a serviço de emergência.

Nível II
≤ 3 h

Urgente, atenção em curto prazo

Comunicação em até três horas após a elaboração do laudo, também com contato direto e documentação da comunicação. O protocolo local deve dizer quem recebe, quantas tentativas são feitas e quando ocorre o escalonamento.

Os tempos acima vêm do Parecer CFM nº 20/2019. A diretriz CBR 2025 reforça a necessidade de notificação eficaz, confirmação de recebimento e evidência do processo nos programas de qualidade. A instituição deve formalizar seu próprio procedimento.

LOOP FECHADO

Fluxo recomendado para a operação

01 · Detectar

O radiologista classifica o achado segundo o protocolo local. A lista de exemplos ajuda, mas não substitui julgamento clínico.

02 · Comunicar

O sistema apresenta o destinatário válido e o canal permitido. Achado crítico não pode depender de uma caixa de entrada sem confirmação.

03 · Confirmar

Registre quem recebeu, quando recebeu e qual foi a confirmação. A diretriz CBR 2025 trata a confirmação de recebimento como parte do processo de conformidade.

04 · Escalar

Sem confirmação dentro do intervalo definido, avance para o próximo contato e aplique a contingência. Não encerre o evento por tentativa sem resposta.

05 · Documentar

Guarde horários, tentativas, destinatários, respostas, escalonamento e fechamento. O registro deve ser rastreável e respeitar o sigilo.

06 · Auditar

Meça prazo até primeira tentativa, prazo até confirmação, eventos vencidos, canais, reincidência e causas de falha. Use o dado para corrigir o processo.

PADRÃO INTERNACIONAL

Por que fechar o loop

A Joint Commission mantém a comunicação oportuna de resultados críticos dentro de seus objetivos de segurança e desempenho. O ponto comum entre as referências é operacional: resultado crítico precisa chegar a uma pessoa responsável, no tempo definido e com evidência de que a comunicação ocorreu.

FAQ

Perguntas frequentes

Qual é o prazo para comunicar um achado crítico?

O Parecer CFM nº 20/2019 propõe dois níveis: achados críticos ou emergenciais em até uma hora após a elaboração do laudo e achados urgentes em até três horas. A instituição deve adaptar e formalizar o protocolo ao seu contexto.

Publicar o laudo no RIS ou prontuário basta?

Não para achados críticos ou urgentes. O Parecer CFM nº 20/2019 afirma que a disponibilização do laudo não afasta a necessidade de comunicação direta conforme o protocolo.

O que precisa ficar registrado?

Data, hora, pessoa que recebeu a informação, tentativas de contato e desfecho do escalonamento. O fluxo deve ser rastreável e preservar a confidencialidade.

Quem é responsável pela comunicação?

O Parecer CFM nº 20/2019 atribui ao radiologista responsável pelo relatório o dever de garantir a comunicação conforme o protocolo. A instituição deve definir destinatários, escalonamento e contingência.

Como o CRIT se relaciona com o protocolo?

O CRIT digitaliza o fluxo institucional de criticidade, comunicação, confirmação, escalonamento e auditoria. O protocolo clínico e os prazos continuam sendo definidos e aprovados pela instituição.

CRIT

O protocolo precisa existir antes do alerta

O CRIT implementa o fluxo que a instituição aprova: níveis, responsáveis, prazos, canais, confirmação, escalonamento e trilha. A tecnologia não inventa o protocolo clínico.