Protocolo de comunicação de achado crítico em radiologia
O protocolo mínimo precisa fechar o loop: identificar a criticidade, avisar a pessoa certa dentro do prazo, registrar tentativas, confirmar o recebimento, escalar quando necessário e deixar uma trilha auditável.
Dois níveis no Parecer CFM nº 20/2019
Crítico ou emergencial
Comunicação em até uma hora após a elaboração do laudo. O contato deve ser feito de forma direta com o médico assistente ou membro da equipe e documentado com data, hora e receptor. Se não houver contato, o parecer prevê contingência para orientar ou encaminhar o paciente a serviço de emergência.
Urgente, atenção em curto prazo
Comunicação em até três horas após a elaboração do laudo, também com contato direto e documentação da comunicação. O protocolo local deve dizer quem recebe, quantas tentativas são feitas e quando ocorre o escalonamento.
Os tempos acima vêm do Parecer CFM nº 20/2019. A diretriz CBR 2025 reforça a necessidade de notificação eficaz, confirmação de recebimento e evidência do processo nos programas de qualidade. A instituição deve formalizar seu próprio procedimento.
Fluxo recomendado para a operação
01 · Detectar
O radiologista classifica o achado segundo o protocolo local. A lista de exemplos ajuda, mas não substitui julgamento clínico.
02 · Comunicar
O sistema apresenta o destinatário válido e o canal permitido. Achado crítico não pode depender de uma caixa de entrada sem confirmação.
03 · Confirmar
Registre quem recebeu, quando recebeu e qual foi a confirmação. A diretriz CBR 2025 trata a confirmação de recebimento como parte do processo de conformidade.
04 · Escalar
Sem confirmação dentro do intervalo definido, avance para o próximo contato e aplique a contingência. Não encerre o evento por tentativa sem resposta.
05 · Documentar
Guarde horários, tentativas, destinatários, respostas, escalonamento e fechamento. O registro deve ser rastreável e respeitar o sigilo.
06 · Auditar
Meça prazo até primeira tentativa, prazo até confirmação, eventos vencidos, canais, reincidência e causas de falha. Use o dado para corrigir o processo.
Por que fechar o loop
A Joint Commission mantém a comunicação oportuna de resultados críticos dentro de seus objetivos de segurança e desempenho. O ponto comum entre as referências é operacional: resultado crítico precisa chegar a uma pessoa responsável, no tempo definido e com evidência de que a comunicação ocorreu.
- CBR. Diretrizes para Notificação de Achados Relevantes na Radiologia, 2025.
- CFM. Parecer nº 20/2019. Define comunicação de achados críticos e urgentes, documentação e níveis de prazo.
- The Joint Commission. National Performance Goal: Right Patient, Right Care.
Perguntas frequentes
Qual é o prazo para comunicar um achado crítico?
O Parecer CFM nº 20/2019 propõe dois níveis: achados críticos ou emergenciais em até uma hora após a elaboração do laudo e achados urgentes em até três horas. A instituição deve adaptar e formalizar o protocolo ao seu contexto.
Publicar o laudo no RIS ou prontuário basta?
Não para achados críticos ou urgentes. O Parecer CFM nº 20/2019 afirma que a disponibilização do laudo não afasta a necessidade de comunicação direta conforme o protocolo.
O que precisa ficar registrado?
Data, hora, pessoa que recebeu a informação, tentativas de contato e desfecho do escalonamento. O fluxo deve ser rastreável e preservar a confidencialidade.
Quem é responsável pela comunicação?
O Parecer CFM nº 20/2019 atribui ao radiologista responsável pelo relatório o dever de garantir a comunicação conforme o protocolo. A instituição deve definir destinatários, escalonamento e contingência.
Como o CRIT se relaciona com o protocolo?
O CRIT digitaliza o fluxo institucional de criticidade, comunicação, confirmação, escalonamento e auditoria. O protocolo clínico e os prazos continuam sendo definidos e aprovados pela instituição.
O protocolo precisa existir antes do alerta
O CRIT implementa o fluxo que a instituição aprova: níveis, responsáveis, prazos, canais, confirmação, escalonamento e trilha. A tecnologia não inventa o protocolo clínico.