O-RADS MRI
Ovarian-Adnexal Reporting and Data System for MRI (ACR O-RADS MRI, 2020)
Sistema do ACR para classificação de massas ovarianas e anexiais em ressonância magnética. O O-RADS MRI estratifica o risco de malignidade de 0 a 5, orientando a conduta entre seguimento, cirurgia conservadora e encaminhamento oncológico. Utiliza características como conteúdo sólido, curva de realce e achados em difusão.
Categorias
Exame tecnicamente inadequado ou incompleto para caracterização da lesão anexial. Necessita repetição ou complementação com outra modalidade.
Repetir RM com protocolo adequado ou complementar com ultrassonografia.
- Artefatos que impedem avaliação
- Protocolo incompleto (ausência de sequências essenciais)
Achados fisiológicos normais. Ovários com morfologia e sinal normais. Folículos fisiológicos ou corpo lúteo sem achados suspeitos.
Sem necessidade de seguimento específico por imagem.
- Ovários de dimensões e sinal normais
- Folículos fisiológicos
- Corpo lúteo hemorrágico
Lesão com características de benignidade inequívoca. Risco de malignidade < 0,5%. Inclui cistos simples, endometriomas típicos, teratomas maduros e cistos hemorrágicos com aparência típica.
Seguimento por ultrassonografia se indicado clinicamente. Sem necessidade de cirurgia.
- Cisto simples anecoico sem componente sólido
- Endometrioma típico (hipersinal em T1, shading em T2, sem realce sólido)
- Teratoma maduro (gordura macroscópica, sem componente sólido com realce)
- Cisto hemorrágico típico
- Hidrossalpinge simples
Lesão com baixo risco de malignidade (< 5%). Inclui lesões com componente sólido de baixo risco (realce lento e progressivo na curva tipo 1, sem restrição à difusão) ou lesões multiloculares sem componente sólido com realce.
Seguimento com RM em 6-12 meses. Cirurgia conservadora pode ser considerada se sintomática.
- Lesão multilocular sem componente sólido com realce
- Lesão com componente sólido com curva de realce tipo 1 (progressivo lento)
- Fibroma/fibrotecoma (hipossinal em T2)
- Lesão cística com septo espesso regular
Lesão com risco intermediário de malignidade (5-50%). Presença de componente sólido com características intermediárias: curva de realce tipo 2 (plateau) ou achados atípicos que não permitem classificação definitiva como benigno ou maligno.
Encaminhar para ginecologista. Considerar cirurgia com possível avaliação oncológica. Biópsia pode ser indicada.
- Lesão com componente sólido com curva de realce tipo 2 (plateau)
- Massa sólida com sinal intermediário sem critérios de O-RADS 5
- Lesão cística multilocular com componente sólido com realce
Lesão com alto risco de malignidade (>= 50%). Presença de componente sólido com realce precoce e washout (curva tipo 3), restrição à difusão marcada, projeções papilares ou nódulos murais com realce e/ou achados peritoneais associados.
Encaminhamento obrigatório para oncologia ginecológica. Cirurgia com estadiamento oncológico. CA-125 e marcadores tumorais.
- Componente sólido com curva de realce tipo 3 (washout precoce)
- Restrição à difusão marcada no componente sólido
- Projeções papilares ou nódulos murais com realce intenso
- Implantes peritoneais, ascite ou linfadenopatia associados
- Invasão de estruturas adjacentes
Tabela de referencia rapida
| Categoria | Risco | Conduta |
|---|---|---|
| 0 — Avaliação incompleta | Minimo | Repetir RM com protocolo adequado ou complementar com ultrassonografia. |
| 1 — Normal | Minimo | Sem necessidade de seguimento específico por imagem. |
| 2 — Quase certamente benigno | Minimo | Seguimento por ultrassonografia se indicado clinicamente. Sem necessidade de cirurgia. |
| 3 — Baixo risco de malignidade | Baixo | Seguimento com RM em 6-12 meses. Cirurgia conservadora pode ser considerada se sintomática. |
| 4 — Risco intermediário de malignidade | Alto | Encaminhar para ginecologista. Considerar cirurgia com possível avaliação oncológica. Biópsia pode ser indicada. |
| 5 — Alto risco de malignidade | Muito alto | Encaminhamento obrigatório para oncologia ginecológica. Cirurgia com estadiamento oncológico. CA-125 e marcadores tumorais. |
Referencias
- Thomassin-Naggara I, Bazot M, Daraï E, et al. Epithelial ovarian tumors: value of dynamic contrast-enhanced MR imaging and correlation with tumor angiogenesis. Radiology. 2008;248(1):148-159.
- Reinhold C, Defined PI, et al. ACR O-RADS MRI Risk Stratification System. J Am Coll Radiol. 2020;17(11):1516-1535.
- American College of Radiology. O-RADS MRI Risk Stratification System. https://www.acr.org/Clinical-Resources/Reporting-and-Data-Systems/O-RADS.
Perguntas Frequentes
Quando a RM é indicada para avaliação de massas anexiais?
A RM é indicada como segundo exame após ultrassonografia inconclusiva (O-RADS US 3 ou 4), para lesões indeterminadas que necessitam melhor caracterização, e para planejamento pré-operatório de lesões complexas. Não é exame de primeira linha para massas anexiais.
O que são as curvas de realce no O-RADS MRI?
As curvas de realce dinâmico descrevem o padrão temporal de captação do contraste pelo componente sólido: tipo 1 (realce gradual e progressivo, favorece benignidade), tipo 2 (realce com plateau, achado intermediário) e tipo 3 (realce precoce com washout, favorece malignidade).