PI-RADS v2.1
Prostate Imaging Reporting and Data System v2.1 (ACR, 2019)
Sistema padronizado para avaliação e relato de ressonância magnética multiparamétrica da próstata (RMmp). O PI-RADS v2.1 classifica lesões prostáticas de 1 a 5, estratificando a probabilidade de câncer de próstata clinicamente significativo (Gleason >= 7 / ISUP >= 2). A sequência dominante varia conforme a zona: T2W para zona de transição e DWI/ADC para zona periférica.
Categorias
Muito baixa probabilidade de câncer de próstata clinicamente significativo. Achados normais ou alterações benignas inequívocas. Na zona periférica: sinal normal em DWI/ADC. Na zona de transição: estroma fibroglandular heterogêneo normal em T2W.
Sem indicação de biópsia baseada em imagem. Seguimento conforme rotina urológica.
- Zona periférica com sinal normal (hiperintenso em T2, sem restrição à difusão)
- Zona de transição com estroma heterogêneo típico de BPH
Baixa probabilidade de câncer de próstata clinicamente significativo. Achados provavelmente benignos. Na zona periférica: áreas hipointensas lineares ou em cunha em DWI/ADC. Na zona de transição: nódulo de BPH circunscrito típico.
Sem indicação de biópsia baseada em imagem. Seguimento conforme protocolo clínico.
- Zona periférica: hipointensidade discreta difusa ou linear em ADC
- Zona periférica: achados sugestivos de prostatite, hemorragia ou atrofia
- Zona de transição: nódulos de BPH completamente encapsulados
Probabilidade intermediária de câncer de próstata clinicamente significativo. Achados equívocos que não permitem classificação como provavelmente benigno ou provavelmente maligno. Na zona periférica: anormalidades moderadas em DWI/ADC. Na zona de transição: achados heterogêneos com sinal obscurecido ou apagado.
Decisão individualizada. Considerar biópsia dirigida por fusão RM/US em casos de PSA elevado ou progressivo. Monitoramento com RM em 12 meses é alternativa aceitável.
- Zona periférica: hipointensidade focal moderada em ADC sem restrição marcada em DWI de alto b-value
- Zona de transição: achado heterogêneo sem achados inequívocos de benignidade ou malignidade
Alta probabilidade de câncer de próstata clinicamente significativo. Na zona periférica: foco marcadamente hipointenso em ADC (< 750 mm2/s) com hiperintensidade em DWI de alto b-value, < 1,5 cm. Na zona de transição: lesão não circunscrita, hipointensa em T2, com sinal lenticular ou homogêneo, < 1,5 cm.
Biópsia dirigida por fusão RM/US ou in-bore fortemente recomendada. Correlacionar com PSA e exame digital retal.
- Zona periférica: foco focal < 1,5 cm com marcada restrição à difusão
- Zona de transição: lesão < 1,5 cm com hipointensidade não circunscrita em T2W
- DWI/ADC dominante e positivo com realce precoce pelo contraste dinâmico (DCE positivo pode elevar PI-RADS 3 para 4 na zona periférica)
Muito alta probabilidade de câncer de próstata clinicamente significativo. Mesmos critérios do PI-RADS 4, porém com tamanho >= 1,5 cm, ou qualquer lesão com extensão extraprostática ou invasão definida. Comportamento invasivo evidente por imagem.
Biópsia dirigida mandatória. Considerar biópsia sistemática adicional. Estadiamento completo se confirmado.
- Zona periférica: foco >= 1,5 cm com marcada restrição à difusão
- Zona de transição: lesão >= 1,5 cm com hipointensidade não circunscrita em T2W
- Extensão extraprostática ou invasão de vesículas seminais
- Comportamento invasivo definido por imagem
Tabela de referencia rapida
| Categoria | Risco | Conduta |
|---|---|---|
| 1 — Muito baixa probabilidade | Minimo | Sem indicação de biópsia baseada em imagem. Seguimento conforme rotina urológica. |
| 2 — Baixa probabilidade | Baixo | Sem indicação de biópsia baseada em imagem. Seguimento conforme protocolo clínico. |
| 3 — Probabilidade intermediária (equívoco) | Moderado | Decisão individualizada. Considerar biópsia dirigida por fusão RM/US em casos de PSA elevado ou progressivo. Monitoramento com RM em 12 meses é alternativa aceitável. |
| 4 — Alta probabilidade | Alto | Biópsia dirigida por fusão RM/US ou in-bore fortemente recomendada. Correlacionar com PSA e exame digital retal. |
| 5 — Muito alta probabilidade | Muito alto | Biópsia dirigida mandatória. Considerar biópsia sistemática adicional. Estadiamento completo se confirmado. |
Referencias
- Turkbey B, Rosenkrantz AB, Haider MA, et al. Prostate Imaging Reporting and Data System Version 2.1: 2019 Update of Prostate Imaging Reporting and Data System Version 2. Eur Urol. 2019;76(3):340-351.
- Weinreb JC, Barentsz JO, Choyke PL, et al. PI-RADS Prostate Imaging - Reporting and Data System: 2015, Version 2. Eur Urol. 2016;69(1):16-40.
- American College of Radiology. PI-RADS v2.1. https://www.acr.org/Clinical-Resources/Reporting-and-Data-Systems/PI-RADS.
Perguntas Frequentes
Qual a sequência dominante no PI-RADS v2.1?
No PI-RADS v2.1, a sequência dominante depende da zona anatômica da lesão. Para a zona periférica, a sequência dominante é DWI/ADC (difusão). Para a zona de transição, a sequência dominante é T2W (ponderada em T2). O DCE (contraste dinâmico) funciona como critério complementar e pode elevar um PI-RADS 3 para 4 na zona periférica.
PI-RADS 3 indica câncer de próstata?
PI-RADS 3 indica achados equívocos com probabilidade intermediária. Estudos mostram que a taxa de câncer clinicamente significativo em lesões PI-RADS 3 varia de 12% a 25%. A decisão de biopsiar deve ser individualizada, considerando PSA, densidade de PSA, história familiar e vigilância ativa versus biópsia dirigida.
O que mudou do PI-RADS v2 para o v2.1?
As principais mudanças do PI-RADS v2.1 (2019) incluem: simplificação dos critérios de avaliação da zona de transição (melhorando a reprodutibilidade), refinamento do papel do DCE como sequência complementar, padronização do limiar de tamanho de 1,5 cm como divisor entre PI-RADS 4 e 5, e melhoria nas orientações técnicas de aquisição.