Classifications
LI-RADS in liver reports
LI-RADS needs technique, contrast phase, and explicit criteria to preserve traceability.
LI-RADS (Liver Imaging Reporting and Data System, ACR) padroniza o laudo de TC e RM multifásicas em pacientes de risco para carcinoma hepatocelular (cirrose, hepatite B crônica, alguns pós-transplante). Cada observação recebe uma categoria — LR-1 a LR-5, mais LR-M (maligno não específico de CHC) e LR-TIV (trombo tumoral em veia) — combinando tamanho, realce arterial não-rim-like (APHE) e os "features maiores": washout, cápsula realçante e crescimento limiar. LR-5 equivale a diagnóstico de CHC sem biópsia. A ferramenta abaixo dá o significado e a conduta de cada categoria.
LI-RADS — categoria, significado e conduta
Significado e conduta
Fill the fields above to see the category and management.
Para que serve o LI-RADS
O LI-RADS do ACR é o sistema de laudo para imagem de fígado em populações de risco para carcinoma hepatocelular (CHC) — basicamente cirrose de qualquer etiologia, hepatite B crônica em certos contextos, e alguns cenários pós-transplante hepático. Ele NÃO se aplica a fígado sem fator de risco, a pacientes com colangiocarcinoma conhecido, ou a crianças.
A grande utilidade clínica: a categoria LR-5 tem especificidade altíssima para CHC e, em paciente de risco, dispensa biópsia para o diagnóstico — entra direto na fila de tratamento ou de transplante. Por isso o laudo precisa ser explícito sobre técnica, fases de contraste, tamanho da observação e cada feature avaliado — não pode ser "lesão suspeita de CHC".
Os componentes da categoria (CT/MRI diagnostic algorithm)
- Pré-requisitos: paciente de risco + exame técnica adequada (TC multifásica ou RM multifásica com contraste extracelular ou hepatobiliar). Sem isso, não se aplica LI-RADS.
- APHE não-rim-like (arterial phase hyperenhancement): realce da observação na fase arterial maior que o do parênquima hepático adjacente, de forma não periférica/descontínua. É o ponto de partida do algoritmo.
- Features maiores adicionais: (1) washout não periférico — a observação fica hipoatenuante/hipointensa em relação ao fígado nas fases portal ou tardia; (2) cápsula realçante — borda lisa e realçante ao redor da observação na fase portal/tardia; (3) crescimento limiar — aumento ≥ 50% do diâmetro em ≤ 6 meses.
- Tamanho da observação: < 20 mm vs ≥ 20 mm muda os limiares de quantos features são necessários para subir de categoria.
- Features de LR-M (favorece malignidade não-CHC): realce em halo periférico contínuo, restrição acentuada à difusão, washout periférico precoce, aspecto infiltrativo, necrose central — qualquer um leva a observação para LR-M, independentemente dos features de CHC.
- LR-TIV: realce inequívoco dentro de um trombo venoso (porta ou hepática), com ou sem expansão do vaso e com ou sem massa parenquimatosa associada.
Como a categoria é montada — lógica resumida
Esta é a forma resumida do algoritmo diagnóstico CT/MRI do LI-RADS. Há ajustes e exceções (visibilidade na difusão, realce hepatobiliar, observações múltiplas, ancillary features que podem subir uma categoria para LR-4 mas nunca para LR-5) — consulte o algoritmo completo do ACR para os casos limítrofes.
| Situação | Categoria |
|---|---|
| Observação definitivamente benigna (cisto, hemangioma típico, alteração perfusional, gordura focal) | LR-1 |
| Provavelmente benigna | LR-2 |
| APHE presente, < 20 mm, 0 feature maior adicional; OU sem APHE, qualquer tamanho, 0–1 feature | LR-3 |
| APHE presente, < 20 mm, 1 feature maior; OU APHE presente, ≥ 20 mm, 0 feature; OU sem APHE, ≥ 20 mm, ≥ 1 feature | LR-4 |
| APHE presente, < 20 mm, ≥ 2 features maiores; OU APHE presente, ≥ 20 mm, ≥ 1 feature maior | LR-5 |
| Qualquer observação com feature de malignidade não-específico de CHC | LR-M |
| Trombo venoso com realce tumoral inequívoco | LR-TIV |
Exemplo de laudo estruturado com LI-RADS
Report example
RESSONÂNCIA MAGNÉTICA DO ABDOME SUPERIOR — PROTOCOLO HEPÁTICO MULTIFÁSICO (contraste extracelular) Paciente de risco: cirrose por hepatite C, em rastreamento. Comparação: RM de 11/2025. Observação no segmento VIII, medindo 24 mm (estável em relação ao exame anterior — sem crescimento limiar). - Fase arterial: realce não-rim-like maior que o parênquima adjacente (APHE presente). - Fase portal/tardia: washout não periférico presente; cápsula realçante presente. - Difusão: discreta restrição, sem realce em halo periférico contínuo nem aspecto infiltrativo. Demais segmentos sem outras observações com APHE. Veias porta e hepáticas pérvias, sem trombo tumoral. Sem ascite volumosa. CATEGORIA LI-RADS: LR-5 (observação ≥ 20 mm com APHE e ≥ 1 feature maior — washout e cápsula). CONCLUSÃO: observação LR-5 no segmento VIII — equivale a diagnóstico de carcinoma hepatocelular em paciente de risco. Recomenda-se discussão multidisciplinar para estadiamento e definição terapêutica/transplante. Achado comunicado ao solicitante.
Erros comuns
- Aplicar LI-RADS em fígado sem fator de risco para CHC. Sem cirrose / hepatite B crônica / contexto pós-transplante elegível, não se usa LI-RADS.
- Confundir realce arterial periférico descontínuo (típico de hemangioma) com APHE. APHE é não-rim-like; o enchimento centrípeto do hemangioma não conta.
- Chamar de LR-5 sem checar features de LR-M. Halo periférico contínuo, aspecto infiltrativo ou restrição acentuada à difusão jogam a observação para LR-M — e LR-M pede biópsia, não dispensa.
- Esquecer o crescimento limiar (≥ 50% em ≤ 6 meses) como feature maior — ele pode ser a diferença entre LR-4 e LR-5.
- Não procurar trombo tumoral. Realce dentro de um trombo de veia porta é LR-TIV e muda completamente o estadiamento e a candidatura a transplante.
- Não descrever a técnica e as fases. Um laudo LI-RADS sem dizer que houve fase arterial tardia adequada, portal e tardia (3 min) não é auditável — e LR-5 sem isso não sustenta o diagnóstico sem biópsia.
Como a Laudos.AI ajuda a estruturar isso
Na Laudos.AI, o radiologista descreve a técnica, as fases, o tamanho de cada observação e cada feature (APHE, washout, cápsula, crescimento, features de LR-M, trombo); a plataforma organiza isso no algoritmo LI-RADS, propõe a categoria, mantém a comparação com exames anteriores para o crescimento limiar, e dispara o fluxo de comunicação nas categorias LR-4/LR-5/LR-M/LR-TIV. O médico revisa, ajusta e assina. A conclusão sai com a categoria, a observação determinante, a justificativa pelos features e a conduta — do jeito que hepatologia, transplante e auditoria precisam.
Editorial & review
- Author
- Equipe clínica Laudos.AI — Conteúdo desenvolvido com radiologistas (revisão por especialista)
- Medical reviewer
- Radiologista revisor — Revisão clínica antes da publicação
- Created
- 2026-05-12
- Last reviewed
- 2026-05-12
Sources
- American College of Radiology. CT/MRI LI-RADS v2018 Core (Liver Imaging Reporting and Data System).
- Chernyak V et al. Liver Imaging Reporting and Data System (LI-RADS) Version 2018: Imaging of Hepatocellular Carcinoma in At-Risk Patients. Radiology. 2018;289(3):816-830.
- Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR) — recomendações sobre imagem hepática e rastreamento de CHC.
Educational and product information. Brazilian Portuguese clinical language; adapt to your service protocol. Does not replace physician judgment — the radiologist reviews, edits and signs the report.
FAQ
LR-5 substitui a biópsia?
Em paciente de risco para CHC com exame de técnica adequada, sim — a categoria LR-5 equivale a diagnóstico de carcinoma hepatocelular e dispensa confirmação histológica. LR-4 e LR-M, não: frequentemente exigem biópsia ou seguimento.
Quem se beneficia do LI-RADS?
Pacientes de risco para CHC: cirrose de qualquer etiologia, hepatite B crônica em certos contextos, alguns pós-transplante hepático. Não se aplica a fígado sem fator de risco, a colangiocarcinoma conhecido, nem a crianças.
Quais são os "features maiores" do LI-RADS?
APHE não-rim-like (realce arterial), washout não periférico, cápsula realçante e crescimento limiar (≥ 50% em ≤ 6 meses). A combinação deles com o tamanho da observação define se ela é LR-3, LR-4 ou LR-5.
O que é LR-M?
É a categoria para observação maligna ou provavelmente maligna cujas características NÃO são específicas de CHC — sugere colangiocarcinoma, CHC atípico ou metástase. Features como halo periférico contínuo, aspecto infiltrativo e restrição acentuada à difusão levam para LR-M. Geralmente requer biópsia.
O que muda quando há trombo tumoral (LR-TIV)?
Realce inequívoco dentro de um trombo de veia porta ou hepática indica invasão vascular tumoral — estadiamento avançado, impacto direto na candidatura a transplante e na escolha terapêutica. É uma categoria à parte, independente da observação parenquimatosa.