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Classificacao Radiologica

Classificação de Garden

Classificação de Garden para Fraturas do Colo Femoral (1961)

Sistema de classificação para fraturas intracapsulares do colo do fêmur, proposto por Garden em 1961. Baseia-se no grau de desvio dos fragmentos na radiografia anteroposterior do quadril. Essencial para a decisão terapêutica: fraturas sem desvio (Garden I e II) podem ser tratadas com fixação interna, enquanto fraturas com desvio (Garden III e IV) frequentemente requerem artroplastia, especialmente em idosos.

RadiografiaQuadril / Colo femoral

Categorias

IFratura incompleta (impactada em valgo)

Fratura incompleta ou impactada em valgo. As trabéculas do fragmento distal estão anguladas em valgo (abdução). A cortical lateral pode estar íntegra. Na radiografia AP, os feixes trabeculares mediais do fragmento cefálico estão angulados cranialmente em relação aos do fragmento diafisário.

Baixo
Conduta

Fixação interna com parafusos canulados ou DHS (Dynamic Hip Screw). Carga protegida precoce.

Achados tipicos
  • Fratura incompleta com impactação em valgo
  • Trabéculas do fragmento cefálico anguladas cranialmente
  • Cortical lateral pode estar intacta
  • Sem desvio significativo dos fragmentos
IIFratura completa sem desvio

Fratura completa do colo femoral sem desvio dos fragmentos. A linha de fratura atravessa toda a espessura do colo, mas os fragmentos mantêm alinhamento anatômico. Os feixes trabeculares mediais estão alinhados (não angulados).

Moderado
Conduta

Fixação interna com parafusos canulados ou DHS. Cirurgia precoce (< 24 horas) recomendada para reduzir risco de necrose avascular.

Achados tipicos
  • Linha de fratura completa atravessando todo o colo
  • Fragmentos em posição anatômica (sem desvio)
  • Trabéculas mediais alinhadas entre os fragmentos
IIIFratura completa com desvio parcial

Fratura completa com desvio parcial. O fragmento cefálico está desviado em varo (adução) e rotação externa, mas ainda mantém algum contato com o fragmento distal através do periósteo posterior (dobradiça posterior). Os feixes trabeculares mediais estão angulados em varo.

Alto
Conduta

Em jovens: tentativa de redução fechada e fixação interna. Em idosos (> 65 anos): artroplastia parcial (hemiartroplastia) ou total do quadril, conforme nível de atividade.

Achados tipicos
  • Desvio parcial com angulação em varo
  • Rotação externa do fragmento cefálico
  • Algum contato ósseo remanescente (dobradiça posterior)
  • Trabéculas mediais anguladas em varo
IVFratura completa com desvio total

Fratura completa com desvio total dos fragmentos. Não há contato entre o fragmento cefálico e o fragmento distal. A cabeça femoral pode estar livre dentro da cápsula articular, frequentemente retornando à posição neutra por relaxamento da cápsula. Alto risco de necrose avascular pela interrupção vascular.

Muito alto
Conduta

Artroplastia do quadril (parcial em idosos de baixa demanda funcional, total em pacientes ativos). Fixação interna tem alta taxa de falha.

Achados tipicos
  • Desvio completo dos fragmentos sem contato ósseo
  • Cabeça femoral livre dentro da cápsula articular
  • Fragmento proximal pode assumir posição neutra
  • Feixes trabeculares podem parecer paralelos (redução aparente pelo relaxamento capsular)

Tabela de referencia rapida

CategoriaRiscoConduta
IFratura incompleta (impactada em valgo)BaixoFixação interna com parafusos canulados ou DHS (Dynamic Hip Screw). Carga protegida precoce.
IIFratura completa sem desvioModeradoFixação interna com parafusos canulados ou DHS. Cirurgia precoce (< 24 horas) recomendada para reduzir risco de necrose avascular.
IIIFratura completa com desvio parcialAltoEm jovens: tentativa de redução fechada e fixação interna. Em idosos (> 65 anos): artroplastia parcial (hemiartroplastia) ou total do quadril, conforme nível de atividade.
IVFratura completa com desvio totalMuito altoArtroplastia do quadril (parcial em idosos de baixa demanda funcional, total em pacientes ativos). Fixação interna tem alta taxa de falha.

Referencias

  1. Garden RS. Low-angle fixation in fractures of the femoral neck. J Bone Joint Surg Br. 1961;43-B:647-663.
  2. Bartonícek J. Pauwels' classification of femoral neck fractures: correct interpretation of the original. J Orthop Trauma. 2001;15(5):358-360.
  3. Florschutz AV, Langford JR, Haidukewych GJ, Koval KJ. Femoral neck fractures: current management. J Orthop Trauma. 2015;29(3):121-129.

Perguntas Frequentes

Por que a classificação de Garden é importante?

A classificação de Garden orienta a decisão terapêutica nas fraturas do colo femoral. Fraturas sem desvio (Garden I e II) têm melhor prognóstico vascular e podem ser tratadas com fixação interna. Fraturas com desvio (Garden III e IV) apresentam maior risco de necrose avascular da cabeça femoral e frequentemente requerem artroplastia, especialmente em pacientes idosos.

Qual o risco de necrose avascular em cada grau de Garden?

O risco de necrose avascular (NAV) aumenta com o grau de desvio: Garden I tem risco de aproximadamente 0-8%, Garden II de 0-10%, Garden III de 15-33% e Garden IV de 14-44%. A irrigação da cabeça femoral depende principalmente dos vasos retinaculares, que são progressivamente lesados com o aumento do desvio.

Na prática, como os graus são simplificados?

Na prática clínica, muitos ortopedistas simplificam a classificação de Garden em duas categorias: fraturas sem desvio (Garden I e II) e fraturas com desvio (Garden III e IV), pois a confiabilidade inter-observador das quatro categorias é limitada e a conduta principal se baseia nessa dicotomia.

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